O meu trabalho de chargista
Acredito
que um dos aspectos essenciais do meu trabalho de chargista deva ser o
criticismo. Penso que não tenho o direito à critica, mas sim o dever de
critica.
Assim, minhas cobranças
devem ser dirigidas aos governantes da ocasião, afinal são eles que têm os
instrumentos para melhorar a vida dos cidadãos. O alvo da crítica deve ser o
presidente da República, o governador do estado e o prefeito da cidade. E
também senadores, deputados e vereadores. E ainda
os homens que fazem o Poder Judiciário.
Naturalmente,
tento que o criticismo das minhas charges não deva ser inconsequente, a crítica
pela crítica, mas fundamentado em valores. Três princípios básicos orientam o
meu trabalho de chargista:
1- Os
valores democráticos
Critico
tudo quanto possa atentar contra e amesquinhar o Estado de Direito democrático
e as instituições democráticas.
2- Os
valores republicanos
Trata-se
de defender o caráter público dos poderes públicos. Isto é, toda utilização da
administração pública para fins e interesses privados e de grupos deve ser
severamente criticada.
Seja nas
licitações de contratos de empresas prestadoras de serviços aos governos, seja
no manejo de políticas econômicas para favorecer determinados interesses
minoritários na sociedade.
3- Os
valores sociais
Num país
como o Brasil, de desigualdades sociais gritantes, acho que devo cobrar medidas
eficazes de erradicação da miséria e da pobreza, que combatam o desemprego e
aumentem a renda da população, inclusive através dos chamados salários
indiretos, como a oferta de bons serviços públicos de transporte, moradia,
saúde, educação, cultura, esportes, lazer, etc.
Na arte,
e no humor em especial, não deve haver regras. Cada cartunista que encontre o
seu caminho. A minha receita serve para mim. Se alguém quiser emprestada, pode
pegá-la gratuitamente.
Cláudio de Oliveira
Chargista do Jornal Agora São Paulo
(texto modificado da versão publicada em 2004)
Chargista do Jornal Agora São Paulo
(texto modificado da versão publicada em 2004)



